Estudo aponta uso de lockdown para conter a pandemia da covid-19 em Dourados


As medidas titubeantes adotadas até agora pelo poder municipal de Dourados não foram suficientes para estancar a pandemia do novo coronavírus que já matou 42 pessoas na cidade até a última sexta, 10, de acordo com a Secretaria do Estado de Saúde (SES), e a saída seria a implantação do lockdown (fechamento total) restrição de circulação de pessoas. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores de quatro universidades federais a pedido da Defensoria Pública do Maro Grosso do Sul (MS).
O estudo consta de dois relatórios técnicos sobre a situação da covid-19 em Dourados e microrregião de saúde com o objetivo de orientar a tomada de decisões de gestores públicos com base em metodologias e evidências científicas. O estudo foi apresentado na última quinta-feira, 9, em videoconferência à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU) responsável pela elaboração do documento. Eles destacaram “para os defensores públicos, a necessidade de medidas e ações coordenadas para conter a doença não apenas em Dourados, mas também nos 11 municípios da Microrregião de Saúde Dourados, de responsabilidade da cidade polo de Dourados”, conforme release distribuído à imprensa.
Participaram da reunião o coordenador do Núcleo de Ações Institucionais Estratégicas (NAE) da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, Pedro Paulo Gasparini, a defensora pública Mariza Fátima Gonçalves e Hiram Nascimento Cabrita de Santana, defensor público coordenador do Núcleo de Atenção à Saúde Pública, às Pessoas com Deficiência e aos Idosos (NASPI).
Além do lockdown, o estudo recomenda ainda o uso de “todas as demais medidas de prevenção apontadas nos procedimentos básicos por um período de quatorze (14 dias), podendo ser reavaliada sua eficácia, o cumprimento do mesmo por parte da população, a respectiva fiscalização e o comportamento da curva de contaminação e de número de óbitos, bem como todos os indicadores e taxas aqui apresentados”, enfatizam os pesquisadores.
A recomendação é de que “todos os municípios que compõem a microrregião devem adotar medidas austeras de restrições de mobilidade e de aglomeração somadas a todas as demais medidas de prevenção apontadas nos procedimentos básicos indicados pelas autoridades sanitárias - OMS, OPAS, Ministério da Saúde no Brasil, Secretaria de Estado da Saúde de Mato Grosso do Sul - com vistas a reduzir a propagação do vírus e impactar de forma efetiva nos indicadores”, destaca o documento.
Segundo um dos relatórios, “a curva de contaminação da cidade de Dourados-MS tem mostrado que as medidas adotadas pelas autoridades sanitárias do município, bem como a efetiva fiscalização do cumprimento dessas medidas” não têm dado a resposta satisfatória, ou seja, “não têm apresentado resultado proporcional para a contenção da doença”, uma vez que a análise científica realizada “evidenciou que Dourados concentra todos os indicadores considerados na pesquisa no nível mais elevado de classificação, apresentando os escores dos indicadores de morbidade acima dos limites máximos de cada indicador”, enfatiza o documento.
O alerta mostra ainda “que a microrregião de saúde de Dourados e o município de Maracaju também apresentam, conforme se observou no documento, situação crítica e, pelos fortes níveis de interações espaciais com a capital da região sul do estado, Dourados agrava ainda mais a situação de contenção da doença” diz o documento.
O documento indica ainda que, “uma minuta do alerta foi encaminhada em 05 de junho desse ano ao gerente do Núcleo Emergencial de Assistência (NEA) do Comitê de Gerenciamento de Crise (CGC) da Prefeitura de Dourados-MS” e  “Embora o alerta indicasse que Dourados se tornaria o epicentro da doença podendo acarretar danos à saúde da população, perdas de vidas e colapso no sistema de saúde, a minuta parece não ter sido considerada para efeito de planejamento de medidas e ações coordenadas para prevenção da doença e redução dos impactos da pandemia na macrorregião”, enfatizou Archanjo da Mota, um dos pesquisadores do estudo e professor do curso de Geografia da UFGD.
De acordo com o estudo, “a curva de contaminação da cidade de Dourados-MS tem mostrado que as medidas adotadas pelas autoridades sanitárias do município, bem como a efetiva fiscalização do cumprimento dessas medidas, são, até então, modestas e não têm apresentado resultado proporcional para a contenção da doença” diz o documento.

Fernanda Vasques Ferreira, uma das pesquisadoras, disse que Dourados perdeu o momento adequado para tomar medidas mais tênues quando a situação era mais tranquila e não exigia a tomada de medidas extremas para o controle da doença. Elas alerta que “o fechamento total também poderá resguardar a economia e propiciar uma retomada do setor produtivo com mais segurança evitando, assim, o abre e fecha”, ponderou a pesquisadora.

Impasse para salvar vidas
No documento, os pesquisadores não deixaram de considerar as discussões sobre eventuais colapsos na economia. Para Archanjo da Mota, “o isolamento social é a solução eficaz mundialmente apresentada para conter a doença. “Só tiveram êxito na contenção da doença as cidades e os países que, ao alcançarem determinados níveis, decretaram lockdown. No curto prazo, compreendemos que a medida de lockdown pode soar como uma medida impactante para alguns”, mas a recomendação visa principalmente, a preservação de vidas, o sistema de saúde, “bem como refletir positivamente na retomada da economia a médio e longo prazo. Para isso, a medida de lockdown quando tomada, deve ser fiscalizada e respeitada para que também proteja a economia”, esclareceu.

O número de pessoas que contraiu a doença em Dourados já chega a 3.379, com 43 óbitos. O município é o epicentro da pandemia da covid-19 no MS, e neste sábado, 11, foram registrados mais 99 casos de pessoas infectadas, de acordo com boletim da SES.

* A matéria foi produzida a partir de release enviado pela professora da UFOB Fernanda Vasques Ferreira.

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