Botafogo irá a campo de luto para protestar contra a volta do futebol do Rio em meio a mortes pela covid-19


Sob protesto o Botafogo vai voltar a campo neste fim de semana (depois de paralisação de quase 100 dias), pela 4ª rodada da Taça Rio, ao encarar o Cabofriense, às 11 horas (Brasília) do domingo, 28, no Estádio Nilton Santos. A decisão foi do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para assegurar a vontade de Flamengo e outros clubes do Rio, em meio à mortandade de pessoas pela pandemia da covid-19. O campeonato foi paralisado no dia 16 de março pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), apesar de Vasco e Flamengo terem inicialmente se posicionado contra.
Desde o início da pandemia até esta terça, 23, o estado do Rio de Janeiro registrou 100 mil pessoas contaminadas pela doença, de acordo com a secretaria estadual de Saúde do Rio de Janeiro. A doença já matou 9 mil pessoas no estado, enquanto o país acumula um total de 52.645 vítimas fatais, de acordo com o Ministério da Saúde. Nesta terça, foram contabilizadas mais 1.374 mortes. É o segundo maior registro em um dia. O Brasil é o segundo país em número de infectados com mais de um milhão de pessoas. O primeiro lugar é ocupado pelos Estados Unidos com mais de dois milhões de infectados, segundo o portal da Universidade americana Johns Hopkins.
Para protestar contra a decisão considerada pela direção do clube de insensível e insensata de retomar os jogos do campeonato, o clube promete jogar com o terceiro uniforme, todo preto, de luto. Quer fazer também uma referência ao sentimento contra o racismo que circula pelo mundo, com a frase no uniforme “Vidas Negras Importam”, além de um agradecimento aos profissionais à frente do combate à doença com a frase “Obrigado profissionais na linha de frente contra o Covid-19”.
                                                      Reprodução imagem divulgação/Fogão net
O Clube divulgou nota de repúdio ao se considerar obrigado a jogar. “É constrangedor ser obrigado a competir no único país que planeja jogos de futebol convivendo com registros, em média, superiores a 1.000 mortes e 30.000 contaminações por dia. O único no mundo a iniciar partidas com essa marca de óbitos e casos. A pressa é sem explicação: não há outras competições, nacionais ou internacionais, agendadas. Não há calendário futuro. Jogar com essas marcas é falta de respeito aos mortos e seus familiares. É sob um recorde fúnebre. Para não enlamear mais o campeonato em que as pessoas perderam o bom senso, o Botafogo está fazendo sacrifícios para encerrar esse triste momento” diz um dos parágrafos da nota. Em outro, o clube lamenta a inflexibilidade e postura irredutível de alguns componentes do Conselho Arbitral da Ferj, onde “muitos dos quais colocaram seus interesses acima da vida humana. Certamente, colaboraram para prejudicar a imagem do futebol carioca e o próprio produto que buscam ter sucesso”.

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