A volta do futebol carioca em pleno pico da pandemia da covid-19 é um reflexo da insensatez

O campeonato carioca nunca foi exemplo de modelo de competição, principalmente no tocante à organização. Sempre muito criticado por clubes, torcedores, jogadores, e até federações de outros estados. Mas esse ano superou todas as expectativas nesse sentido, e expôs facetas nada agradáveis de outros setores da sociedade.

Interrompido em março pelo surto da pandemia mundial da covid-19 que invadiu os gramados de todo o mundo e paralisou o esporte no planeta, o criticado campeonato tenta voltar na marra em meio à maior mortandade de pessoas por uma doença com alto grau de transmissibilidade. Aliás, o Flamengo, ao que tudo indica ser o maior interessado nesse retorno, parece já ter esquecido a tragédia no seu Ninho. Depois de defender insistentemente, fez o primeiro jogo contra o Bangu no meio da semana, dando o ponta pé ao reinício. O jogo aconteceu sem público, lógico, mas parecia um insulto aos pacientes do hospital de campanha montado ao lado do estádio Maracanã para atender as vítimas da covid-19 do município.
                                              Estádio Maracanã/imagem reproduzida da internet

Até agora, apenas alguns países da Europa, onde a doença foi controlada, o futebol ensaia os primeiros passos. Mas no Brasil, onde a covid-19 já infectou mais de um milhão de pessoas e matou mais de 50 mil, a volta do futebol a essa altura do campeonato é totalmente insana e afrontosa.

Neste sábado, 20, a confusão, parece ter chegado ao pico, tal o nível de desencontro, desinformações e decisões desencontradas em torno do caso. Botafogo e Fluminense se posicionaram contra, desde o início, tentaram em vão na justiça desportiva a suspensão pelo menos até o início de julho, mas foram derrotados por Flamengo, Vasco, os outros clubes cariocas e a própria Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj).

O prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) entrou em campo, tendo atuação tão desastrosa quanto sua administração. Editou dois decretos no mesmo dia, causando mais confusão na grande área: o primeiro, num rasgo de bom senso, suspendia o campeonato até 25 de junho, o segundo, voltava atrás e suspendia apenas os jogos de Botafogo e Fluminense, que sequer, tinham realizado treinamento. O Fluminense nem teste da covid-19 havia realizado em seus atletas.

Enquanto isso, o sistema Globo que vem corretamente cobrindo as notícias da pandemia e defendendo o isolamento social, nada disse sobre o retorno do campeonato. Outros segmentos da sociedade, normalmente ativos em momentos que trazem preocupações ou ameaças à sociedade, também assistem calados a volta do futebol do Rio, no momento em que quase a totalidade do elenco do Corinthians testou positivo para a doença. Mas o que chama mais atenção é o silêncio do Sindicato dos Jogadores (SAFERJ).


Em meio a tanta sandice, a maior preocupação dos envolvidos é dar sequência ao campeonato. Os jogos devem ser realizados nos estádios Nilton Santos, Maracanã e São Januário. Nesta semana, mais capítulos devem ser editados pelos personagens que produzem esse espetáculo do grotesco. Para eles, o que importa é seguir a partida...
                                             Estádio Nilton Santos/imagem reproduzida da internet.

   

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