Bolsonaro é criticado por revista inglesa


E o presidente Bolsonaro não cansa de aprontar das suas, por isso mesmo, acaba se tornando alvo fácil da imprensa. Desta vez, contudo, a crítica não partiu da mídia brasileira tão criticada e ameaçada por ele. No início desta semana mandou uma repórter calar a boca. Agora, as críticas partiram da renomada e mais antiga (desde 1823) publicação da área de ciências médicas do mundo, TheLancet. A revista inglesa abriu um editorial sob o titulo Covid-19 no Brasil e daí?, em que trata do avanço da pandemia no país tropical e o descaso do governo brasileiro no combate à doença.

O artigo faz um retrospecto do avanço do novo coronavírus, desde o primeiro caso registrado em fevereiro deste ano até chegar aos números do começo da semana, quando o país superou os cem mil casos de infectados, se tornando o líder na América Latina em casos da covid-19. Ressalta a possibilidade do problema ser mais grave em função da subnotificação da doença, em função do atraso de registros no sistema de informática da saúde, podendo fazer aumentar as estatísticas.

                                               Reprodução da Capa da The Lancet (9.5.2020)

Aponta um estudo do Imperial College que mostrou a taxa de transmissão ativa da covid-19 no Brasil como a maior entre 48 países pesquisados. E que a preocupação agora, é o avanço da doença para cidades do interior, que não dispõem de estrutura hospitalar adequada para receber os pacientes, além das favelas com instalações e estruturas precarizadas.

Na avaliação da publicação, a maior ameaça à resposta ao vírus talvez seja o próprio Presidente. E cita a resposta dele ao ser questionado pela imprensa sobre o aumento de casos. “E daí? O que você quer que eu faça”. A revista afirma ainda, que o Presidente “não apenas continua a semear confusão, desrespeitando abertamente as medidas sensatas de distanciamento e bloqueio físico trazidos pelos governadores e prefeitos, mas também perdeu dois ministros importantes e influentes nas últimas três semanas”, se referindo a Luiz Henrique Mandetta (Saúde), em 16 de abril e Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), em 24 de abril, demitidos por ele.

Em sua observação mais severa a Bolsonaro, a publicação afirma que que a liderança do governo está à deriva. “Essa desordem no coração do governo é uma distração mortal no meio de uma emergência de saúde pública e também é um forte sinal de que a liderança do Brasil perdeu sua bússola moral, se é que alguma vez teve”.

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