Vitória da caneta

A demissão do rebelde ministro da saúde era só uma questão de tempo para um presidente que não sabe conviver com o contraditório e zomba da covid-19 como se visto em flagrantes da mídia. E Mandetta sabia disso, afinal conviveu na Câmara dos Deputados com Bolsonaro, entre 2011 e 2018. Mandetta não é um neófito na política, pelo contrário pertence à família de políticos tradicionais em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, onde já foi gestor da saúde e traçou alicerce para a Câmara Federal.

O ex-ministro entrou em rota de colisão com o chefe do Executivo Federal quando defendeu o isolamento social como medida central no combate à covid-19 e se aliou, inclusive, a governadores que também enfrentaram Bolsonaro, na forma de conduzir a questão da pandemia. Bolsonaro defende isolamento vertical, enquanto seus oponentes, o horizontal. Mas a situação de Mandetta se agravou, ficando insustentável, depois de entrevista ao Fantástico da Rede Globo, no dia 12 desse mês, quando disse que o “brasileiro não sabe se escuta o ministro ou o presidente”, se referindo a forma de tratar o problema.

Hoje, dois dias depois de Mandetta limpar as gavetas e seu sucessor imediato no ministério pedir demissão, Luiz Henrique Mandetta foi substituído no Ministério da Saúde, pelo médico oncologista Nelson Teich, que também defende o isolamento horizontal. Acabei encontrado dois pontos de convergência entre mim e Mandetta. Estudou Medicina, na Universidade Gama Filho, onde fiz jornalismo e torce para o Botafogo. Ao deixar o ministério, Mandetta ainda citou o clube da estrela solitária: - Quando o Maracanã for aberto e o Botafogo for campeão e aquela massa botafoguense se abraçar a doença vai pegar, disse, provocando risos.


Foto: AP Photo/Eraldo Peres

Na queda de braço, entre Mandetta e Bolsonaro, venceu o dono da caneta. Mas, a verdade é que Mandetta saiu bem maior do que chegou ao Ministério e Bolsonaro ver cada vez mais seu capital político e popularidade derreterem. Espera-se do novo ministro que coloque em primeiro lugar na sua gestão o bem estar e a saúde do povo brasileiro. Nesse aspecto, parece ter sido priorizado realmente o critério técnico, embora alguns passos indiquem que Teich já colaborou para o projeto de governo bolsonarista.

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