Quando a seleção usou até a meia cinza do Botafogo

Lendo um post, no Twitter, do sambista Leo Russo, alvinegro de quatro costados, fiquei sabendo de mais uma curiosidade que envolveu o jogo entre Brasil e Inglaterra do qual falamos ontem aqui neste blog. Pouca gente reparou, mas o Brasil jogou de meias cinzas. Antes de começar o jogo o juiz reparou que as duas seleções estavam com maias brancas, então mandou o Brasil trocar a cor. Como não havia meias reservas, o preparador físico da seleção e do Botafogo, Admildo Chirol, sugeriu que fossem usadas as meias do treinamento, de cor cinza.

Como se sabe a partida era considerada a decisão da Copa de 1970, antecipada, tamanha a importância do jogo, mas o Brasil conseguiu vencer os ingleses naquele jogo memorável. Se repararmos a jogada do gol teve início nos pés de Paulo Cézar Lima, que entrara na partida no lugar de Gerson. Ele tocou para Tostão que fez a jogada monumental e a bola foi bola parar nos pés de Jairzinho, que fez o gol, ou seja, dois craques alvinegros. Claro que os supersticiosos alvinegros creditaram a vitória às meias cinzas, mas quem duvida? Esta seleção tinha três jogadores do Botafogo (Jairzinho, Roberto, Paulo Cézar), clube que cedeu mais jogadores a seleção até hoje, 46 ao todo, mas isso será assunto de outro post.


Fonte: Getty.

Por falar no Glorioso, quero me dirigir de forma especial aos meus amigos não botafoguenses que vivem me zoando por causa da cor cinza das meias do Botafogo. Chegou o dia da revelação. A morte do presidente Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954 (eu nasci em maio) abalou o país e enlutou todos os segmentos da sociedade brasileira. No futebol não foi diferente e a Federação de Futebol Carioca chegou a cogitar adiar a segunda rodada do campeonato daquele ano. Mas em vez do adiamento decidiram apenas usar o luto nos uniformes dos times, além do minuto de silêncio antes do jogos, na época em que realmente o estádio se calava pelo homenageado.

O Botafogo, clube considerado diferente, por isso, o slogan tão apropriado: não se compara”, entendeu que a faixa preta para demonstrar o luto era pouco e decidiu pela primeira vez em 50 anos de existência, atuar com meiões cinzas para enaltecer a figura de Getúlio. O jogo foi contra o Madureira no campo dele, no alçapão da Rua Conselheiro Galvão e o placar foi 2x0 para o Glorioso. A partir daí, a superstição, um item de estimação do botafoguense, entrou em campo e determinou a permanência da cor cinza nos meiões.

Postar um comentário

Que tal deixar um comentário?

Postagem Anterior Próxima Postagem