Brasília faz 60 anos, sem festa


Brasília, a terceira capital do país (Rio de Janeiro e Salvador também sediaram o poder central do Brasil), entrou para a maior idade, nesta terça, 21 de abril, 60 anos após ser inaugurada. Mas sem festa, sem festejos ou aglomerações como recomenda o protocolo de enfrentamento à pandemia que assola o planeta. Símbolo do projeto desenvolvimentista “Cinquenta anos em cinco”, do mineiro Juscelino Kubitschek (1902-1976), popular JK, que governou o Brasil entre 1956 a 1961. Mas a cidade já era desejada por brasileiros ilustres nos séculos XVIII e XIX.
Uma das primeiras cidades planejadas no Brasil, é a única construída no século XX classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Resultado de projeto elaborado pelo urbanista Lúcio Costa, vencedor do concurso que indicou um projeto para a construção da cidade. Ele desenhou o Plano Piloto, na forma de um avião, ou uma cruz, que compreende o eixo monumental e as asas norte e sul. O arquiteto Oscar Niemeyer ficou responsável pelos monumentos e principais prédios, enquanto o paisagista Burle Marx cuidou dos jardins e Athos Bulcão dos painéis de azulejos.
                                                          Monumento JK/José Milton
A ideia de integração do país simbolizada por Brasília representava também um projeto de integração nacional e o desejo de transformar o Brasil do campo em um país urbano, na década de 1950. Essa ideia, porém, não era nova e atravessara séculos. A primeira pessoa a pensar no processo de interiorizar a capital do país teria sido Marquês de Pombal. Os inconfidentes mineiros em 1789 incluíram nas metas do movimento a transferência da capital para o interior, ideia defendida quase um século depois pelo jornalista Hipólito da Costa, editor do Correio Braziliense, em Londres e por José Bonifácio que teria sugerido o nome Brasília para a capital do país.
Na verdade, Brasília é mesmo uma cidade que chama atenção dos seus visitantes por vários aspectos, mas principalmente pela sua arquitetura e a integração espaço-ambiente. Eu, como Djavan, gosto do “céu de Brasília fonte do arquiteto”, mas tenho restrições à atmosfera pesada sugerida pela dervirtualização da política pelos seus agentes. Em 2017 estive na cidade, percorri todo Eixo Monumental, e registrei algumas paisagens.
                                             Eixo Monumental/José Milton
No dia em que ficou sexagenária, a jovem senhora cidade ganhou mais um acervo para perpetuar a memória de capital esperança. Um grupo de 20 empreendedores pioneiros que trabalharam na construção da cidade e atuam até hoje em seus negócios, pessoas que arriscaram suas economias em torno de um sonho, financiaram a realização de um documentário sobre os 60 anos da cidade. São depoimentos que contam seus sonhos, esperança, e como a cidade foi construída.
                                         Estádio Mané Garrincha/José Milton
Pensada por seus idealizadores para abrigar 500 mil pessoas, a cidade como a maioria das metrópoles brasileiras, superpovoou e viu esses números subir para cerca de 3 milhões atualmente.


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